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CARTA CONTRA Os MITOS DO AUTISMO

Palomas
CARTA CONTRA Os MITOS DO AUTISMO E SEU USO PEJORATIVO
Muitas vezes para manifestar que alguém é distraído, desmemoriado, grosseiro, indiferente, desatento se recorre à palavra Autismo, inclusive para agredir ao outro.
Copiei do blog de Anabel → EL SONIDO DE LA HIERBA CRECER esta carta, que seria bom lessem os comunicadores, as escolas de jornalismo e nós. A estas alturas ninguém pode dizer ‘não sei de que se trata’, bem como se utiliza o termo 'Mogólico' para agredir ao outro.


Estimado amigo:
Dirigimo-nos a você por seu importante labor como líder de opinião. Somos pais, familiares e amigos de pessoas com autismo. Convivemos com elas, vemos como avançam, em muitos casos com uma intervenção especializada, e de que forma se preparam para ser um mais neste mundo onde há cabida para a diversidade.

No entanto, difundem-se com demasiada freqüência informações e mitos que nada têm que ver com o autismo. Inclusive se está pondo de moda recorrer à palavra “autismo” para desqualificar. Ouvimos como insulto nas discussões acaloradas entre políticos, lemo-la na imprensa quando querem criticar a alguém, øsuportamo-la em cartazes de manifestações contra dirigentes...É uma pena que autismo vá sócio a conotações negativas e seu uso “metafórico” também.

Ainda que o transtorno autista implica um espectro e há diferentes tipos de afectação, todos merecem um trato respeitoso que nunca se consegue usando esta condição como insulto ou menosprezo. Em qualquer caso, nem os meninos mais afetados respondem ao estereótipo de ser frios, ariscos e fechados. As pessoas com autismo sentem e sabem demonstrá-lo. Se se conhecesse sua realidade, o sorriso dos meninos ao receber um presente ou, até nos melhores casos, sua felicidade ao jogar com outros, sua satisfação quando aprenderam algo novo, como tentam por todos os meios comunicar-se e os esforços que realizam para aprender as regras sociais, a ninguém se lhe ocorreria mais do que associar autismo com “superação”, “esforço”, “nobreza”, “carinho” ou “sensibilidade”.

A prevalência do autismo hoje em dia é o suficientemente significativa como para promover ações de informação e sensibilização, com afirmações que se apóiem em evidências científicas e ajustadas à realidade. Segundo o Instituto de Saúde Carlos III, um de cada 250 meninos apresenta algum transtorno dentro do espectro (http://iier.isciii.es/autismo/). Há mais de 200.000 afetados em Espanha e 67 milhões em todo mundo.

Por esta razão, celebramos qualquer tentativa de entendimento do autismo desde os meios de comunicação. Não é uma doença, senão um conjunto de disfunções neurológicas com manifestações comportamentais que se detectam já nos primeiros anos de vida com deficiências na comunicação, na interação social e a aparição de interesses restringidos, repetitivos e estereotipados.

Hoje em dia, os avanços se produzem sempre e, em alguns casos, a passos de gigante. Com uma estimulação adequada, sempre dependendo do grau de afectação, evoluem para metas impensáveis faz uns anos. E, até nos casos em que os avanços são pequenos, estes enchem muito a suas famílias e significam uma grande superação pessoal. Por isso, deveríamos lutar todos juntos para favorecer a inclusão.

Não queremos roubar-lhe mais tempo, mas sim propor-lhe que nos ajude a acabar com os preconceitos, os mitos ou os usos pejorativos que a nós nos doem, além de ser um obstáculo terrível para os afetados e sua inclusão. Estamos a sua disposição se deseja informar-se ou escrever sobre o autismo.
Uma cordial saudação.

Anabel Cornago, mãe de um menino com autismo e bacharel em Ciências da Informação pela Universidade de Navarra, Dra. Ana Luengo, mãe de dois meninos, um com autismo, e professora de Literatura na Universidade de Bremen, Eva Reduello, mãe de uma menina com autismo, Ana Cortijo Sanz, mãe de um menino com autismo, Inés Casal, mãe de um menino com autismo, M. Cruz de Silva Rubio, mãe de um menino com autismo, Esther Cuadrado, mãe de um menino com autismo.

“BABY-SITTER” DOS PEQUENOS MODERNOS

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Se me ocorreu realizar esta entrada, depois de ler a JMIUR em → MIENTRAS CONSUMO ME CONSUMO
Os profissionais médicos, psicólogos e sociólogos, observam com preocupação, que quando pais e filhos se encontram à noite, a televisão impeça as relações pessoais, imprescindíveis para o bem-estar da família.


Nos lares onde a abusiva visão de TV afoga a convivência familiar, a televisão manda tanto ou mais do que os pais.Os pais num lar sensato, determinam os ritmos diários dos filhos: a hora de levantar-se, de ir ao colégio, de comer, de ir dormir…no entanto, nos lares capturados pela tela garota a televisão dita tecnicamente estes ritmos.
Desde o princípio dos tempos, foram os pais os que se ocupavam dos meninos, cuidava-os, entretinha, hoje deixados em mãos da tv, eleita como niñera. Quem lhes indica o que é bom ou mau, o que há que amar, respeitar, desejar ou recusar???
Numa família onde os meninos olham televisão durante vinte ou trinta horas semanais, e os adultos vêem uma média de dezessete horas, não existem tempos para jogos, cantos, passeios, esportes, visitas a familiares e amigos.
Para os meninos ter um ritmo estável do dia é essencial, forma o sentido de estabilidade, capacidade de decisão e responsabilidade: horários regulares para as comidas, para ir-se a dormir, momentos para ouvir contos ou histórias, ou jogar lhes permitem crescer dentro de um âmbito de segurança.

Nos lares com maior poder aquisitivo, a outra GRANDE NIÑERA, é Internet. É inevitável que os meninos não acedam à Rede, ela lhes proporciona recursos como material noticiário e educativo, diversão. Todo este mundo virtual, imediato e fascinante pode gerar meninos compulsivos, nervosos e adictos, sem não existem limites e supervisão dos pais.

MENINOS QUE NÃO SORRIEM

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Lamentavelmente, a depressão não só é problema dos adultos. A tristeza, é uma emoção que todos os meninos padecem durante o desenvolvimento ante situações difíceis e negativas como o divórcio dos pais, o fracasso na escola ou a falta de amigos.
O baixo estado de ânimo de alguns meninos pode ser tão intenso, frequente e permanente que ao menor contratempo se rendem e se derrubam ou perdem a ilusão, inclusive pelas coisas e atividades mais divertidas e prazenteiras.

Os pais devemos procurar ajuda, se um ou mais dos seguintes sinais de depressão persistem:
• tristeza frequente, lloriqueo e pranto profuso
• desesperanza
• perda de interesse em suas atividades; ou inhabilidad para desfrutar das atividades favoritas prévias
• chatisse persistente e falta de energia
• isolamento social, comunicação pobre
• baixa autoestima e culpabilidade
• sensibilidade extrema para a rejeição e o fracasso
• aumento na irritabilidade, coragem ou hostilidade
• dificultai em suas relações
• queixas frequentes de doenças físicas, tais como dor de cabeça ou de estômago
• ausências frequentes da escola e deterioração nos estudos
• concentração pobre
• mudanças notáveis nos padrões de comer e de dormir
• falar de ou tratar de escapar-se da casa
• pensamentos ou expressões suicidas ou comportamento autodestructivo

A depressão tem que ser tratada e diagnosticada por um profissional. Geralmente o menino é derivado pelos maestros do colégio, porque os pais ou irmãos notam que se comporta algo estranho, está decaído. Também é comum que seja derivado por outros profissionais, como o psicopedagogo ou o pediatra. Um psicólogo ou psiquiatra infantil realizará o diagnóstico.

MENINOS E SOCIABILIDADE

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A desenvoltura social, como a maioria dos comportamentos e atitudes, obtém-se principalmente da família, ainda que se vão aprendendo em forma mais natural através do contato com outras pessoas, especialmente com meninos, dos modelos de conduta que tenham os meninos em seu meio imediato. O estilo de criação que os pais lhes proporcionem, tem muita relação com as habilidades sociais que eles desenvolvam.
Imágen: Anne Geddes


Muito carinho, combinado com níveis moderados de controle paterno, promovem um melhor estilo de sociabilización nos filhos, já que o afeto facilita uma relação segura, o que a sua vez promove as concorrências sociais dos meninos, em contraste, as condições autoritárias e permissivas não favorecem o desenvolvimento das habilidades sociais em forma adequada.

A partir do ano de vida, começam uma nova etapa de socialização. Sua maior autonomia, dada por sua capacidade para deslocar-se, abre-lhes um mundo de novas possibilidades, seu desenvolvimento mental lhes permite interessar-se por tudo quanto os rodeia, incluindo às pessoas, ainda que de um modo bem mais elementar e exploratorio, num princípio.

Ainda que estão muito centrados em si mesmos, já começam a fixar sua percepção nos demais. Aprendem a valer-se de certas “graças” para simpatizar e seu estado de ânimo costuma ser cordial. À medida que avançam os meses, seu sentido de independência e autonomia se acentuam e suas expressões de carinho se voltam mais frequentes, começam a sociabilizar mais com outros meninos e aprendem normas básicas de cortesia. Também é comum que se ponham zelosos, possessivos, egoístas e que façam birras de vez em quando.

Entre os 19 e 24 meses começam a desfrutar da presença e interação com outros meninos, mas ainda não sabem jogar em grupo. Conquanto adquiriram domínio de seu corpo, desconhecem e temem a muitas coisas. É por isso que têm momentos em que parecem ser muito independentes e outros em que manifestam a atitude contrária. Neste período se identificam com a figura materna, tratam de imitá-la e inclusive substituí-la.

Algumas das ações que podemos aplicar
▪ Levar ao menino a alguma vaga ou convidar a outro menino de sua idade para que compartilhem um momento agradável. Provavelmente se observem num princípio, imitem o que faz o outro, não queiram compartilhar seus brinquedos. Para trabalhar essa atitude, podemos provar tomar um brinquedo que lhe interesse muito ao pequeno, oferecendo-se dizendo ‘é meu mas to presto’.

▪ Perguntar-lhe como se chama, para que se acostume a contestar e a dizer seu nome. Convidá-lo a demonstrar seu afeto, pedindo-lhe que abrace a seu hermanito, dê-lhe um beijo à avó...

▪ Proporcionar-lhe encontros com outros meninos nas quais possa trocar brinquedos, enfrentar-se a certas dificuldades e jogar livremente. É bom não intervir em alguma relação difícil, só o necessário, assim reforçará sua autonomia e irá desenvolvendo sua capacidade de enfrentar-se a problemas.

▪ Reuniões com amigos adultos que tenham filhos pequenos: como os meninos são grandes imitadores, quererão ter uma vida social como seus pais. Se o menino já tem um ano ou mais, está capacitado para aprender a saudar aos adultos, animamo-lo a fazê-lo.

▪ Se o menino já tem um ano ou mais, está capacitado para aprender a saudar aos adultos, animamo-lo a fazê-lo.

▪ Dialogar com o menino, miradas ternas, palavras doces e cercania lhe dá muita segurança.

▪ Escutar música instrumental e infantil, são excelentes recursos para melhorar seu estado de ânimo.

▪ Levá-lo desde bebê aos lugares que vamos todos os dias, de compras por exemplo, e falar-lhe das coisas que observamos.

DIFERENTES IGUAL QUE TEU!!!

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Quando nascemos todos o seres humanos dependemos de mamãe e de papai para viver, eles nos alimentam, protegem, cuidam, estimulam, dão-nos seu amor incondicional, com sua ajuda crescemos e vamos vencendo pequenas e grandes barreiras, atingindo metas. Nosso corpo se adapta, aprende do meio, adquire capacidades, nossa mente absorve tudo a seu arredor, esforçamo-nos, e é bem como, com o tempo, vamo-nos independizando e vivemos nossa própria vida.
Texto de → ISOL


Muchos alcanzan prácticamente las mismas metas más o menos en un mismo tiempo, de una misma forma, esa mayoría recibe un nombre: "normales". Por considerar que tienen iguales capacidades, lo cual, es un error porque no existe en realidad un ser humano que sea igual a otro, ni que tenga absolutamente todas sus capacidades desarrolladas, (hay muchas cosas que no puede hacer y necesita ayuda de los otros para realizarlas).
Sin embargo, otros seres humanos debieron hacer un camino diferente a la mayoría para alcanzar la deseada autonomía que anhelamos tod@s, tuvieron que ejercitar más su fortaleza para vencer unas cuantas barreras más, aprendieron a ser tenaces adquiriendo una fuerza de voluntad mayor que el resto, con el mismo deseo que todos los humanos tenemos: "ser independientes", crecer, aprender, enamorarse, superarse… la experiencia de vida que estas personas tienen es exquisita, su ingenio y paciencia fue puesta a prueba muchas veces, ganaron, perdieron, se levantaron y siguieron en sus luchas diarias, intentando superar barrera tras barrera que les puso la sociedad.
Estes seres humanos durante muito tempo foram chamados (inválidos, deficientes, descapacitados, anormais, subnormales...) porque foram considerados por suas carências e não por suas meritos e habilidades. Estes termos não os representam, por tudo o que demonstram e que são amplamente capazes de enfrentar os reptos da vida, coisa que os chamados "normais" não sempre conseguem.
Se os denomina assim porque só se apreciam aquilo do que carecem, sem entender que eles tiveram que desenvolver ao máximo o resto de todas suas muitíssimas capacidades, para que aquilo que os diferença não lhes impeça uma vida totalmente independente como qualquer adulto neste mundo.
Por fortuna os tempos mudam e os termos que desqualificam a estas pessoas estão lentamente sendo desterrados por outro que abarca a todos os seres humanos, que demonstra que todos somos diferentes e isso é tudo. Este termo é "diversidade funcional".
Não devemos esquecer que a linguagem cria pensamento e diversidade no dicionário significa variedade, diferença, ou seja que este termino dá uma imagem que é a acertada: "todos e todas somos diferentes".
Pelo que é bom desde agora desterrar algumas palavras que dão imagens errôneas, já que dão a idéia de que alguém que não é capaz e ponto, sem ver o leque de capacidades que este ser humano desenvolveu. Bem como, dão a idéia de alguém que precisa ajuda para atingir sua autonomia é alguém não válido para esta sociedade. Por isso incorporemos o termino diversidade funcional e sobretudo a idéia de que todos os seres humanos somos diferentes, com diferentes capacidades, há coisas que fazemos melhor do que os demais, coisas nas que precisamos ajuda ou adaptações (como usar lentes, ou uma escada para chegar onde não llagamos ou a alguém mais alto que nos o atinja) porque sós não podemos.
E sobretudo aprendamos que tudo ser humano contribui algo ao mundo que o rodeia, a não discriminar nunca, pois nos perderíamos a um ser excepcional! Diferente, igual que tod@s!
Pois com isto demos um passo para que entre todos nos integremos, podes, se agradas ajudar, copiar este texto e pô-lo em teu blog ou escrever algo que esteja relacionado com esta idéia, o que faças para colaborar to agradeço de coração, o bem que fazes é imenso, e se não desejas pô-lo em teu blog o que mais interessa é do que o apliques em tua vida desde já muito obrigado! se agradas difunde-o e ajuda-nos a pôr nosso granito de areia!

A TIRANIA DO MAMÃE COMPRAME!!!

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O comportamento dos meninos frente aos locais de consumo, mantém aos pais em presos dos desejos de seus filhos.
Como reação contra o autoritarismo em uso, que forçava aos filhos a calar e obedecer, nasce no século XX um modelo de criação que propõe respeito e escuta, espaço e liberdade para que meninos e meninas se desenvolvam e se expressem livremente.
Lic. Irene Loyácono
Psicóloga. Psicoterapeuta. Diretora do Centro de Terapias com Enfoque Familiar- CeTEF
Foto: Ilustração: Eva Mastrogiulio


Faz muitas décadas já que o centro de gravidade da maioria das famílias passa pelos filhos.
CHAMAMO-LAS famílias paidocéntricas: as necessidades e preferências dos infantes e adolescentes são priorizadas à hora de decidir o mobiliário, o uso dos espaços hogareños, os horários, os programas de TV, as marcas, as férias, as saídas da família e outros etcéteras.
Paralelamente, os berrinches frente ao quiosque, a góndola ou a juguetería são um espetáculo frequente.
É um despregue de condutas tiránicas de infantes de muito curta idade que reclamam airadamente a compra de algum objeto ou a provisão de certo cuidado. Com o descenso no poder aquisitivo de muitos lares, fez-se mais notória a quantidade dos "comprame", "llevame", "traeme" que proferem os garotos de toda idade, e aparece a dor e a queixa dos pais, que já não podem prover tão facilmente.
Procurando a genealogia desta situação, encontramos que, muitas vezes, os pais nos projetamos nos meninos e pretendemos que, em compensação pelas próprias desventuras, nossos filhos e filhas vivam uma vida mágica, perfeita, ideal, sem sobressaltos nem privações: que sejam o menino sol, a menina despedaça. Que não lhes falte nada, que sejam "felizes".
Também a culpa -porque, atarefados, passamos pouco tempo com eles- nos leva a consentí-los em demasía. Há um mal-entendido básico: satisfazer de imediato todos os desejos dos meninos não os fortalece, senão que os debilita, constituindo-os em tiranuelos desagradáveis e infelizes, frente aos quais, finalmente, os adultos nos sentimos pressionados e extravasados. Está bem que o menino desfrute de sua infância, mas está mau que o consiga a costa da esclavización de seus pais. Tenhamos em claro que dar ao filho tudo o que pede não é cuidá-lo, é seduzí-lo. É tê-lo contente para que me queira e me faça sentir bom, poderoso, Rei Mago. Dar-lhe tudo o que pede é, também, calá-lo por um momento, sacar-me de em cima, não me ocupar do que realmente lhe passa.
Não se deve pôr piloto automático na criação, ainda que julgar em cada caso se corresponde ou não dar ao menino o que pede é um esforço que não todos os pais estamos dispostos a -ou em condições de- realizar. Mas essa é justamente a função parental: pensar no bem dessa personita e resolver desde a perspectiva de seu crescimento.
Nesse sentido, também seria bom que voltássemos a ensinar a nossos filhos e filhas o agradecimento, que leva a valorizar o recebido e à reciprocidade. Sem agradecimento fica invisibilizado o esforço e a bondade dos pais para abastecê-los de coisas e de cuidados. Isto também não é bom.
É claro que o não dos pais limita, frustra, impede, mas... quem disse que estas experiências não são também necessárias para um bom desenvolvimento?
Dado que não vivemos num mundo que oferece a satisfação com só esticar a mão e pedí-la, brindar ao menino e à menina a possibilidade de aprender a tolerar frustrações adequadas a sua idade, ter a experiência do prêmio conseguido com esforço e desenvolver a capacidade de espera frente às inevitáveis demoras cotidianas, é provê-los de tesouros e talismãs que farão sua vida mais vivible.

MITOS E TABUS

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A história das palavras é a história do homem, é que a evolução da língua nos fala de mudanças em crenças e costumes, do surgimento de mitos e tabus, de modas que se transformam, de revoluções culturais e tecnológicas, de estremecimentos sociais ou políticos.

“Andar de capa caída”
Dizemos que alguém anda de capa caída quando se o vê mustio, com o ânimo à altura do rodapé.
Muitos tomaram o dito ao pé da letra e o atribuíram à época em que essa prenda era de uso habitual: aos fidalgos empobrecidos ou que perdiam o favor na corte, se os via, segundo essa interpretação, com a capa posta ao descuido, arrastando-a pelo andar.
Trata-se, em realidade, da deformação de uma locução latina.
No Direito Romano se denomina capitis diminutio à perda parcial dos direitos civis. A essa condição se chegava por dívidas, por doença e, no caso das mulheres, ao contrair casal.
Em castelhano se os chamou também direitos caídos.
Em boca dos leigos, capitis passou a ser capa e a locução ficou como “andar de capa caída”. Dar mostras de ter sofrido um baixo na consideração social, achar-se com o humor a média hasta. Uma expressão que hoje se ouve com grande freqüência, ainda que os antidrepresivos estejam de moda. E ninguém leve capa.

“Aqui há gato encerrado”
Forma muito comum de expressar desconfiança ante qualquer assunto que não aparece do tudo claro. Seu protagonista não é o simpático felino que conhecemos também como minino ou micifuz.
No Século de Ouro espanhol, chamava-se gato ao ladrão, nome que evoca muito bem o sigilo e os movimentos ágeis e furtivos dos profissionais desse ofício.
Tempo atrás as bolsas e talegos se faziam com a pele destes animais, de maneira que, na gíria dos delinquentes, gato é o lugar no que um indivíduo oculta o dinheiro que leva em cima e, por extensão, o dinheiro mesmo.
A frase hoje se generalizou e se aplica a modos de atuar que nos resultam altamente suspeitos. As razões escondidas, os manejos secretos ao serviço de causas não muito transparentes, acordam a inquietude de que a malícia ou a fraude estejam a ponto de dar o zarpazo.
De que em algum esconderijo e, entre sombras, o gato do engano, esteja relamiéndose os bigodes.

“Lágrimas de Crocodilo”
É verdade que do saco lagrimal destes répteis sai uma secreción acuosa que mantém úmidos os olhos do animal, fora do água, mas não é resultado de tristeza senão esforço.
Ao não ter aparelho masticatorio, fazem um grande esforço com seus fauces e músculos da cabeça, para deglutir seus bocados, a maioria das vezes animais inteiros.
A ação de 'chorar' enquanto se devora com ferocidade uma presa, foi tomada como arquétipo da hipocrisia.

BULIMIA E ANOREXIA IV

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Há muitos signos e sintomas para pesquisar se alguém é anoréxico ou bulímico. É importante notar, que estes signos de atendimento, não são os mesmos para cada pessoa. O tratamento e a terapia são necessários. Isto é uma desordem alimentaria, que afeta fisicamente, emocionalmente e mentalmente.
Imágen: Google

Suas causas são variadas:
Biológicas e genéticas: ao superar a puberdade existe um aumento do tecido adiposo e uma maior preocupação pela obesidade (aumento de importância) entre os pares, que predispone a começar uma dieta. Interpessoais/psicológicas: geralmente são jovens com baixa autoestima (não se valorizam) e altos níveis de ansiedade. Costumam ser introvertidos, obsessivos e perfeccionistas, com tendências dominantes.
Familiares: na adolescência os jovens desenvolvem independência e autonomia, como modo de preparação para a separação da família. As alterações familiares que impedem este processo evolutivo são um fator importante nestas doenças. Costuma ter sobreprotección, pegoteo, rigidez. Descreve-se à mãe como uma figura com freqüência dominante e a um pai distante.
Socioculturais: geralmente as adolescentes e mulheres jovens estão submetidas a intensas e profundas pressões para mudar sua figura corporal. Os meios de comunicação enfatizam a relação entre a delgadeza e o sucesso. Os talhes da roupa para jovens são cada vez mais reduzidos. As pressões socioculturais em adolescentes vulneráveis podem contribuir à aparição de um transtorno como defesa contra as realidades atemorizantes desta etapa.

O enfermo de Anorexia revela
• Falta de consciência da doença.
• Medo intenso à obesidade.
• Distorção do esquema corporal (se vêem gordos apesar de ter sob peso).
• Rejeição a manter o peso em nível normal.
• Queda do cabelo.
• Amenorrea, pele seca.
• Hipotensión – Hipotermia.
• Cortado dos alimentos em bocados pequenos.
• Ingesta lenta.
• Mastigado longo antes de engulir.
• Preferência por porções muito pequenas.
• Ocultamento da comida.
• Consumo de anorexígenos, laxantes e/diuréticos.
• Recontagem das calorias.• Rituais com a comida.
• Hiper atividade para baixar de importância.
• Isolamento social.
• Irritabilidade no caráter.
• Depressão no 40 ou 45 % dos casos.
• Condutas obsessivas.
• Extrema autoexigencia.
• Rejeição à sexualidade.
• Atracones.
• Uso de roupa solta (se tampam o corpo).

O enfermo Bulímico
• Episódios recorrentes de voracidade.
• Consciência de que o padrão alimentario é anormal.
• Sentimento de não poder com a ingesta.
• Oscilações significativas de importância.
• Deterioração de peças dentarias em vomitadores.
• Alternância com ciclos restritivos.
• Condutas compensatórias como cuspir, abuso de laxantes, abuso de líquidos para compensar a fome ou provocar o vómito.
• Jejum.
• Hiper atividade.
• Cortado dos alimentos em bocados grandes, ingesta rapidamente.
• Mal mastigam ou engulem sem mastigar.
• Preferência por grandes porções.
• Abulia.
• Engrosamiento glandular (parótida) em vomitadores.
• Caráter irritable.
• Sentimento de culpa.
• Comidas a escondidas.
• Roubo para comprar comidas.
• Obsessão pela silhueta e o peso.
• Oscilação entre a autoexigencia e o abandono.
• Oscilação entre a euforia e a depressão.
• Abandono frequente de todo emprendimiento.

Os "NÃO" da prevenção

NÃO a comer em solidão.
NÃO ao mau humor e ao capricho.
NÃO ao isolamento e à solidão.
NÃO à agressividade.
NÃO aos escândalos familiares.
NÃO à condescendência.
NÃO à dupla personalidade.
NÃO à autoexigencia exagerada.
NÃO ao aperfeiçoamento absurdo.
NÃO à comida, ao corpo e às calorias como tema de conversa.
NÃO à hiperatividade.
NÃO ao uso de diuréticos, laxantes ou tabletes para emagrecer.
NÃO à automedicação.NÃO aos produtos dietéticos.
NÃO aos adoçantes.NÃO ao abuso de café.
Não ao cigarro.
NÃO ao álcool.
NÃO aos caprichos com a comida.
NÃO ao jejum.

Os "SI" da prevenção
SIM a um projeto de vida saudável.
SIM à comida como ato social.
SIM às atividades programadas.
SIM ao respeito mútuo, à colaboração e à integração grupal.
SIM ao compromisso mútuo ou grupal.
SIM aos limites.
SIM ao diálogo e a comunicação.
SIM ao respeito à família.
SIM ao bom modo e à cordialidade.
SIM ao bom humor.
SIM à produtividade e a criatividade.
SIM ao ordem e cuidado de nosso quarto e dos espaços comuns da casa.
SIM à pontualidade.
SIM ao progresso.
SIM à comida em família.
SIM à sobremesa.
SIM à constância e ao esforço diário.
SIM ao programa alimentario com responsabilidade.

SE A DOENÇA NÃO SE TRATA
Tomemos consciência, estamos frente a doenças graves, não deixemos que avancem. Segundo a OMS, um 15% morre por causa destas patologias.
Se aqueles que as padecem não se tratam:
• podem agravar seu estado de saúde;
• podem ter problemas com o colégio, com a família e com a sociedade;
• perderão sua autoestima;
• sobrevirá a deterioração da personalidade;
• não conseguirão independência e autosuficiência;
• não obterão uma inserção social adequada;
• reduzirão sua vida a um mundo pequeno;
• não conseguirão ser indivíduos sãos e felizes.

AMOR

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Amor, conto de → Silvina Ocampo, publicado em seu Livro A Fúria em 1959.
Silvina Ocampo, foi uma escritora trasgresora, nos anos quarenta escrevia deixando de lado as normas habituais, valendo-se de outros modos de representação.
Em 1933 conheceu a Adolfo Bioy Casares, com quem se casou em 1940. Tiveram uma única filha, Marta.
Foto: Ilustração de Huadi

O relato acontece num cruzeiro, uma viagem de casamentos aos Estados Unidos. Inicialmente o casal é feliz, goza da paisagem, da divertida vida a bordo, da companhia dos demais passageiros.
A escritora lhe adjudica ao ar marinho poderes afrodisíacos, estimulantes, pasionales, bem mais potentes do que o de qualquer droga.
Entre os passageiros a narradora menciona a Isaura Díaz (quiromántica), Roberto Crin (prestidigitador), Luis Amaral (brasileiro, caçador e milionário), John Edwards (médico de quem diz que num momento dado lhe salvou a vida) e à menina Cirila Frei (a quem cuidava umas horas pela tarde para ajudar a sua mãe que estava anémica). Estes são os personagens que rodeiam ao casal.
O protagonista do conto conversa com todas as passageiras mas não lhe agrada que sua mulher fale com os homens.
Para tratar de evitar seus ciúmes, ela se dedica ao cuidado da menina. A viagem já não parecia de lua de mel. Para que seu marido soubesse o que era o sentimento que ela mais detestava: os ciúmes; cada vez que ele falava com alguma mulher, ela procurava algum homem para conversar.
Reconhece-se a si mesma como vingativa e depois de quinze dias de viagem aceita o convite ao camarote de Luis Amaral quem como pretexto, põe o querer mostrar-lhe as escopetas com as que caça.Ela reconhece que não deveu ter aceitado, mas confessa tê-lo feito para vingar-se das supostas infidelidades do marido. Uma vez dentro e tendo Amaral fechado a porta com chave tenta abraçá-la mas ela se defende e grita.
O marido, por sua vez, todas as noites conversa na coberta com Isaura Díaz, e põe sua mão na dela, para saber mais sobre seu destino.

“Os ânimos se exasperavam dia a dia…” “e nesse mundo começávamos a viver nosso amor de uma maneira equivocada "diz a protagonista.

A narração sobe de tom com as contínuas brigas do casal, nenhum dos dois acreditava em a inocência do outro e se "destroçavam o alma".
Um dia de frio, estando como sempre discutindo, acodados na borda, o barco tremeu, ouviu-se a sereia, bocados de gelo caíram dentro da coberta. Eles seguiam brigando.

Um oficial lhes disse que o barco tinha chocado contra um témpano de gelo e estava afundando-se. Viram como tudo se golpeava, derrubava-se, caía-se, viram o terror na gente, os botes de salvataje, mas eles seguiam brigando-se.

VIERAM-NOS a procurar, ela disse que queria ficar, já que não tinha lugar nos botes para seu marido. Abriram as portas da segunda e a terceira classe e uma avalanche de gente se lhes veio em cima. Ela se desvaneceu.

Alguém os salvou, ela confessou depois, “que nunca perdoaria ao que o fez porque tinha ficado neste mundo de brigas em lugar de ter perecido no naufrágio abraçada ao marido”.

Jorge Luis Borges disse em alguma ocasião, que a literatura fantástica recorre à ficção não para fugir da realidade senão, pelo contrário, para expressar uma visão mais profunda e complexa.

PENSAR É UM PRAZER

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O Dr. Jaime Barylko, nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1936 e morreu em 2002. Dedicou sua vida à educação e à filosofia. Foi autor de numerosos livros, entre eles A aprendizagem da liberdade (1982), O medo aos filhos (1992), Os filhos e os limites (1993), Cabala da luz (1994), Sabedoria da vida (1995), Educar em valores (1997), Ética para argentinos (1998), O significado do sofrimento (2000), A revolução educativa (2002)
É um prazer para mim lê-lo, recordar as entrevistas, palavras claras, pensamentos lúcidos. Suas notas, livros e artigos falam sobre os vínculos familiares, a formação dos filhos, a relação das pessoas na sociedade e a ética, os valores e até a moral, são o leit motiv de muitos de seus escritos.

“Pensar é um prazer... Pensar é um ato que um pode exercer sem grandes estudos prévios nem títulos. Pensar é como caminhar; há que o praticar. É propor-se os temas da vida diária e seus problemas, e os valores e daí quero, que posso, que devo, que me é bom e daí me é mau. E isso pode praticá-lo todo mundo. É o mais democrático que temos”.

Educar para pensar
“Há que educar para pensar, que é educar para não repetir, por mais do que todos digam o mesmo. Para pensar, queridos amigos, há que ter atrevimento.
Cérebro, capacidade, isso o temos todos. Mas atrever-se a ir contra a corrente, que isso é pensar, é todo um esforço e todo um risco.
Eu digo que vale a pena, e que a felicidade consiste em ter uma idéia própria, um sentimento próprio. Isso é pensar.Há que se atrever a pensar.
Há que se atrever a deixar pensar. Teríamos filhos bem mais inteligentes dos que temos.”

Amar é intervir...
“...Educar não é instrir. Instrir é proporcionar conhecimentos; educar é alimentar a ética da pessoa, formar seu caráter, delimitar os limites do bem e do mal. Isso é intervir na vida do outro. Não para tirar-lhe a liberdade. Para dar-lhe a liberdade. Porque liberdade é eleger, e se não se sabe que eleger, se tudo dá o mesmo, joga-se à roleta mas não se elege, e portanto não se é livre.
À gente, e sobretudo aos argentinos, custa-lhes horrores compreender isto. Confundem liberdade com ‘hacé o que melhor te pareça’. Se o que melhor te parece é estudar, trabalhar, consolidar um lar, viver o presente e nele fundamentar o futuro, programar uma vida de amor e felicidade, é liberdade positiva, como dizia Erich Fromm.
Se somente consiste isso que chamamos liberdade em romper correntes, destruir laços, arrojar-lhe ao outro tudo na cara ‘porque é o que sento neste momento’, essa é -diz o mesmo Fromm- liberdade negativa.
Sabemos que é o que há que fazer. Sabemos negar. Mas não aprendemos a afirmar. Temos medo a tomar decisões com o casal, com os filhos, com o próximo, medo ao amor verdadeiro que é amor de compromisso e de responsabilidade.
Instalou-se a cultura do sentimento.
-Vení que te digo o que sento -lhe diz ele a ela.
-Por favor -contesta ela-; decime o que sentis.
Claro que se o que sente é admiração, doçura, ternura, vamos bem e dá gosto que o outro to diga.
Mas que digam:-Estás meio gordita, não? Antes estavas mais espigada, não sei... Digo-te o que sento...
Suspeito que dariam vontades de contestar-lhe:-Sabés que? Por que não agarrás teus sentimentos e... (Complete você a frase em língua estrangeira, que soa mais delicada).
Vivemos entre mitos, falsas promessas de deixem ‘crescer aos garotos sós’; ‘Digam o que sentem’; ‘Sejam espontâneos’...
E não nos foi bem, parece-me.
Tantos filhos órfãos e com pais viventes. Tantos casais cheias de sentimentos e destruídas à primeira brisa que não concorda com esses sentimentos.
Não, não nos foi bem.
Então revisemos tantos mitos, isto é, falsos relatos e falsas idéias, mentirosas. A vida se faz com sentimentos, sim; mas depois estabilizados pela razão, a prudência, a inteligência e a conduta ética e responsável.
Viver e amar, e amar é intervir.
Assim de singelo. E assim de difícil. Se te vejo mal, tentarei não te ofender, mas também tentarei ver como e de que maneira posso ajudar-te. Isso é intervir. Se te contemplo e deixo que tua vida corra pelo andarivel que vai dizendo-me que desta maneira te respeito, o verdadeiro é que estou evadindo meu dever, e francamente... não te quero.
O verdadeiro amor -ao casal, ao filho, ao pai-, é intervir, se fora necessário, para não o deixar cair, e se por isso, ao sustentá-lo, deixo-lhe a impressão de meus dedos em seus braços, deixo-lhe impresso meu amor.”

CARTA DE UMA MAMÃE A SEUS FILHOS

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De autor anônimo
Imágen Google

Sempre que querem falar de mães na televisão mostram mulheres com os garotos nos braços, sorridentes, doces, carinhosas, sem uma pitada de cansaço, esplendidamente maquiladas e a isso agregam maravilhosas frases de pôsters.
¡¡¡Mentiras!!!
As mamães não somos abnegadas amantes do sacrifico e aguerridas guerreiras que tudo o podem.
As mamães choramos abraçadas ao travesseiro quando ninguém nos vê, pedimos a peridural no parto.
Se puteamos em 17 idiomas quando temos que pôr o despertador às 2 da manhã para ir procurá-los a uma festa.
Quando lhes dizemos que não se briguem com esse compañerito que lhes diz ’anão’ ou ‘quatro olhos’, e lhes damos toda classe de explicações conciliatorias, em realidade quereríamos ter o cogote do pequeno verdugo entre nossas mãos.
E também pensamos que a velha de geografia é um mau bicho quando lhes baixa a nota porque não sabem quantos metros mede o Aconcagua que, ao final, a quem cornos lhe importa.
Mas não o podemos dizer.
Não é que nos encante passar-nos horas na cozinha tratando de que o pescado não tenha gosto a pescado e dissimulando as verduras em toda classe de brebajes, em lugar de atirar um Patty ao ferro...
É que temos medo de que não cresçam como se deve. Não é que nos preocupe realmente que se ponham ou não um saquito…
É que temos medo de que se adoeçam.
Não é que os queiramos mais quando se banham...É que não queremos que ninguém lhes diga roñosos.
Não o fazemos por vocês. Fazemo-lo por nós.
Porque ser mamãe não tem que ver com gravidezes, cueiros e sorrisos de aspirinetas. Tem que ver com querer a alguém mais do que a uma mesma.
Com ser capaz de qualquer coisa contanto que vocês não sofram. NADA, nunca, jamais. Vocês nos fazem felizes...quando lhes encantam nossas milanesas, quando nos consideram sábias por contestar todas as perguntas dos concursos da tv.
Quando vêm chorando a gritos porque se rasparam o joelho e nos dão a possibilidade de dar-lhes consolo e curitas.
Quando recém levantadas nos dizem, que linda que estás, mamãe. Vocês nos fazem melhores.
Nos dão vontades e forças. Nos comeríamos um gurka cru antes de que lhes toque um dedito do pé.
Lavamo-nos a cara e saímos do banho com um sorriso de orelha a orelha para comunicar-lhes que a vida é boa, ainda que nos vá como o reverendo...
Cantamos as canções de Chiquititas e vemos Barney e escutamos aos piolhos e compramos Nopucid e repassamos 500 vezes a tabela do 2 e arrumamos o carburador para levar aos pibes a futebol, a inglês, a desenho, à psicóloga, a básquet, a volley, a danças, à casa da amiga, à maestra particular, ao dentista, ao médico, a comprar uma calça...
E armamos 24 bolsitas com anillitos e pulseritas e tratamos de que o bolo pareça um Pikachu e nos procuramos outro trabalho e sacamos créditos e nos compramos livros e vamos ao psiquiatra e ao pediatra e aos videos e negociamos com os maestros e os credores e recortamos figuritas
e estudamos junto a vocês rios, províncias, as capitais dos países de Europa e nos pomos lindas e nos enojamos
e nos rimos e nos saímos de dobradiça e nos convertemos na bruxa e a princesa de todos os contos...
Só e exclusivamente para vê-los felizes.
VÊ-LOS FELIZES É O QUE NOS FAZ FELIZES.
Oxalá pudéssemos colar o mundo com fita scotch (como o velador que caiu em combate na última guerra de pijamas party), para que fora um lugar melhor para vocês. GRAÇAS POR FAZER-ME SUA MAMÃE. GRAÇAS POR FAZER-ME TÃO IMPORTANTE.
Graças, por essas porcarias que fazem no colégio com corchitos e escarbadientes (que quase nunca entendo para que servem mas guardo religiosamente),
Graças pelos abraços, os beijos, as lágrimas, as dores, os dentes de leite, as cartitas, os desenhos na heladera, o Amoxidal
por tantas noites sem dormir, os boletins, as plantas rompidas do jardim por jogar à pelota, por minha maquiagem arruinada por ser usado para jogar à mamãe, pelas fotos da primária...
São meus melhores medalhas. Obrigado porque Os AMOO. E esse, é o amorque me faz grande.
O DEMAS É MARKETING

Os ANTECEDENTES INCESTUOSOS DO AVÔ

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Muitas mulheres que foram vítimas de incesto por parte de seus pais e que calaram esse abuso durante toda sua vida adulta, recém se sentem compelidas a confessá-lo -ou denunciá-lo- quando suas próprias filhas se acercam à puberdade e entablan um vínculo novo com esse avô que alguma vez foi um pai violador.
© Eva Giberti, agosto 2001.
RIMA: Red Informativa de Mujeres de Argentina
URL de este archivo: http://www.rimaweb.com.ar/infancia_adolescencia/egiberti_incesto.html
Imágen: Google

As vezes precisam anos de tratamento antes de poder contar que lhes sucedeu. Conquanto a consulta pôde ter sido originada por diversos sintomas (insônias reiteradas, ou desavenencias conjugais ou hartazgo da vida que levam), em determinado momento estoura a história que tingiu a meninice destas mulheres: a violação incestuosa que seu pai exerceu durante vários anos.

A tentativa de esquecê-lo, de repor-se como se aquilo não tivesse sucedido, o escamoteio do ódio e do asco para esse pai ocuparam a sensibilidade, a inteligência e o mundo emocional dessas mulheres que não puderam rebelar-se quando o varão que devia protegê-las e acompanhá-las em seu desenvolvimento utilizava seus corpos infantis para produzir-se prazer.

Sendo meninas temeram confiar-se a suas mães porque supuseram, assim o contam algumas delas, que não só não lhes creriam, senão que provavelmente as castigariam "por inventar porcarias". A experiência clínica nos evidência que, em algumas oportunidades, é bem como sucede.

Por que estas mulheres adultas, que decorrem suas quarenta e seus cinquenta anos recém agora podem descrever que lhes ocorreu?
Porque, com freqüência, suas filhas, agora púberes ou adolescentes, entablan um vínculo novo com esse avô que foi um pai incestuoso. Um vínculo de jovem mulher, já não necessariamente como menina, senão como uma criatura que conversa com esse avô que opina a respeito de suas condutas. E lhes pergunta a respeito de seus noivos e de seus amigos. E com ufana tranqüilidade lhes recomenda que tenham comportamentos sensatos.

Como explicar a desconfiança para o avô?
As mães que foram incestuadas por esse sujeito, e que jamais o "confessaram" a seus maridos, agora titubeiam sem poder explicar-lhes a violência e a ira com que costumam contestar-lhes a esses avôs cujos antecedentes como violador elas padeceram.

Os fatos que durante anos tentaram sepultar reverdecen nas memórias atualmente ilustradas pelos temas que, vinculados com os abusos sexuais contra as meninas, instalam-se nos meios de comunicação. Conquanto essa informação mantém o erro de pretender que abuso sexual agravado por vínculo é equivalente a incesto, segundo a descrição legal, atinge para que algumas mulheres, antes meninas violadas por seus pais, reajam com a fúria que não puderam expressar quando eram victimizadas.

É essa fúria, sócia com um "não saber que fazer agora", a que se expressa nos tratamentos, e permite compreender como funcionaram, durante anos, os efeitos dessa terrível experiência na vida destas mulheres. Elas decorreram seus anos juvenis entrampadas nas convenções sociais que as obrigaram a conviver com o violador, recordando a satisfação que a prática incestuosa lhe produzia a esse varão ao que deviam seguir reconhecendo e nomeando "pai".

A aparição verbal das recordações, recorrendo à contenção da psicanálise, permite-lhes, por uma parte, recuperar a representação das situações, dos dias e das noites durante os quais esse sujeito se aparecia em sua habitação em ausência da mãe, ou bem quando deviam decorrer suas férias ao lado desse homem que reclamava seu direito à pátria potestade por estar divorciado da mãe.

Por outra parte se abre o espaço para perguntar-se: que fazer agora? Uma delas me disse: "Eu quisesse matá-lo" e outras duvidam a respeito dos efeitos que poderiam resultar da atual confissão.

Em mudança todas coincidem ao avaliar a relação desse sujeito com a filha delas, menina ou púber: resistem-se a autorizar qualquer classe de relação próxima com esse avô. O qual costuma aparecer como inexplicável no grupo familiar.

Conquanto é possível dedicar-lhe longo tempo à análise dos fatos, às recordações, às fantasias quando se trata de mulheres em tratamento psicoanalítico, começaram a aparecer consultas por parte de mulheres que não solicitam tratamento senão alguma índole de recomendação a respeito do melhor modo de proceder respecto de suas filhas, em relação com esse avô.

Isto é, é possível supor que não podem, não querem reabrir a memória incandescente do que padeceram, mas sim decidiram utilizar a sombra daquelas recordações para atuar preventivamente respecto de suas filhas. Mas este avô não necessariamente mantém um entusiasmo paidófilo, não necessariamente tentará manusear a sua neta e só em algum caso encontrei a suspeita concreta a respeito desse procedimento contra a neta/menina. Estas mulheres, que foram meninas violadas por seus pais e que atualmente são mães, procuram o alívio que significa falar a respeito dessa porção de suas vidas, dos efeitos que padeceram, e ao mesmo tempo tentam posicionar-se frente a esse pai reconhecendo-o como um violador sistemático, isto é, como um delinquente.

O esclarecimento sociopolítico do que agora dispõem numerosas mulheres, e com o qual não contavam décadas atrás, permite-lhes compreender que decorreram sua meninice fazendo parte da categoria das vítimas; já não se trata de acusar ao sujeito posicionando-o só como incestuoso, senão que dito delito também viola os direitos das meninas, além de violar seus corpos e além de interferir de maneira patológica na construção da subjetividade da vítima.

As mães destas mães
Capítulo aparte é o que nestas consultas se dedica às que agora são avós e foram o casal daquele pai incestuoso: as mães destas mulheres que agora conferem. Que lhes ocorreu? Não se deram conta? Sabiam o que passava mas preferiram tolerá-lo? Elas mesmas foram vítimas de pais incestuosos e interpretaram como fatalidade essa classe de relação? Minha experiência no tema me ensinou que, nas classes populares, quando o incesto é descoberto ou reconhecido pela mãe pode silenciar-se porque se sabe que o cárcere para o violador significará a fome para o resto da família. Nossa legislação ao respecto produz um paradoxo carente de ingenuidade: "Deixemos em liberdade ao incestuoso para que possa seguir mantendo à família. Em todo caso internemos à menina num instituto porque corre perigo moral": um disparate compreensível mediante a análise dos efeitos das ideologias patriarcais na redação das leis e das políticas sociais. Um trastocamiento ético que mantém sua eficácia graças à colonização intelectual de legisladores e profissionais intervinientes nestas histórias. Mas quando as consultas provem de outros grupos sociais a avaliação dos comportamentos daquelas mães, agora avós, reclama outros refinamentos técnicos, que fazem parte dos interrogantes que se propõem as mulheres que atualmente conferem: "Minha mãe não se dava conta" ou bem "Se se o tivesse contado ela não o poderia crer". Quarenta anos atrás aquelas mulheres tivessem aceitado como possível que seu marido fosse capaz de algo semelhante? O desenvolvimento desta problemática é extenso e não admite simplificações. Em mudança nos adverte a respeito dos novos registos das mulheres a respeito de seus direitos, dos direitos de suas filhas e do valor que adquiriu a palavra da mulher quando denúncia, quando narra, quando questiona, quando fala, quando se defende, quando promove o juízo crítico e o respeito por sua história de vida. Porque o pessoal é político.

 
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